Era branca de candura,
depois mudei de cor,
tornei-me cinzento-escura,
desfiz-me em pranto e dor.
Adivinha #19
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Era branca de candura,
depois mudei de cor,
tornei-me cinzento-escura,
desfiz-me em pranto e dor.
Qual é coisa, qual é ela,
capelinha branca,
sem porta nem tranca?
Qual é coisa, qual é ela,
que tem capa verde e o coração vermelho?
O que é, o que é,
capelinha vermelha,
sem porta nem telha.
Qual é coisa, qual é ela,
cai no chão fica amarela?
Porque é que o boi se está sempre a babar?
Sou uma dama preciosa,
dos mancebos desejada,
os cães comigo têm rixa,
só no mar sou desejada.
Um terreno bem lavrado,
sem charrua nem arado.
O que é, o que é,
pelo com pelo,
e as meninas no meio?
Qual é coisa, qual é ela,
que cabe numa mão e numa casa?
No monte me criei,
nasci entre verdes laços,
o que mais chora por mim
é o que me faz em pedaços.
Venho vestido de frade,
mas nunca faço oração,
branco de neve é meu hábito,
cor de ouro o coração.